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Arquivos Mensais:janeiro 2012
Mercado de Luxo: desejo ou necessidade?
“Um ser sem necessidades já não tem desejo, e um ser sem desejo já não reconhece suas necessidades” – Michel Richard
É desejo ou necessidade? Boa pergunta, quando nos deparamos frente a objetos de luxo que nos chamam a atenção e tentam nos levar às compras. Esses objetos trazem consigo fatores racionais de compra (qualidade e originalidade) e irracionais (procura de distinção, gosto pela marca, pelos códigos sociais). Importante repararmos que os fatores racionais estão plenamente no conhecimento popular: a questão da qualidade, da durabilidade associada aos produtos que são “mais caros”; e os fatores irracionais são percebidos apenas com um estudo antropológico e sociológico mais a fundo.
O objeto de luxo possui diversas características paradoxais, o que torna a sua definição e entendimento ainda mais abstrato e subjetivo: “é sublime, suntuoso, inacessível e, no entanto, objeto de todos os desejos, de todas as fantasias, supérfluo, triunfos de elevação de padrão, etc”. Após todas essas características contraditórias, singulares e, de alguma forma, místicas, fica claro porque o marketing de luxo exige um estudo tão específico, que entra em diversas áreas do conhecimento como a psicologia, antropologia e sociologia.
Uma característica desse mercado é que os objetos de luxo quase nunca sofrem crises (ao menos não podem demonstrar), sendo que estes servem com alicerces para a fixação e distinção entre as classes sociais nesses períodos turbulentos. Em 2010, o faturamento do setor em reais subiu 28% comparado com 2009 e alcançou R$ 15,7 bilhões, com previsão de crescimento em 2011 para R$ 20 bilhões, segundo dados da pesquisa realizada pela Consultoria GFK. E para 2012, a expectativa é que o Brasil continue com crescimento superior a 30%. O estudo também aponta que São Paulo continua sendo a cidade mais importante para o setor, seguida por Rio de Janeiro e Brasília.
Como grande disseminadores de marcas, a internet e as redes sociais são preferência como meio de divulgação de produtos de luxo. É nos aparelhos móveis, como smartphones, iPads e outros tipos de tablets que as grandes marcas colocam suas apostas. Uma pesquisa do Luxury Institute aponta que 76% dos consumidores comparam preços via aparelhos móveis, como celulares 3G, enquanto 27% já adquiriram produtos usando essa tecnologia. Além disso, 21% usaram aparelhos móveis para procurar mais informação sobre um determinado produto, enquanto faziam compras na loja. Não é de se estranhar, portanto, que a Audi esteja “armando” 100% de sua força de vendas com iPads a partir do próximo ano. São aparelhos que permitem apresentar vídeos, detalhar o produto, checar estoque e até fechar a compra, tudo em tempo real.
Nota: a ESPM- Escola Superior de Propaganda e Marketing oferece um curso voltado para esse mercado em seu portfólio de férias, com a temática Marcas de luxos em produtos de consumo, lecionado por Suzane Strehlau, Doutora e Mestre em Administração de Empresas pela FGV.
Leia também: Cliente tradicional, cliente conectado e o desafio para 2012
5 motivos para você apostar na rede profissional BranchOut
Você já deve ter ouvido falar no BranchOut, um aplicativo que ficou mais conhecido como “o Linked In do Facebook”. Se não conhece essa ferramenta profissional, não se preocupe, pois depois da divulgação no Brasil em junho de 2011, não se ouviu muito sobre ela por aqui. Mas vale ficar de olho.
O BranchOut foi lançado em agosto de 2010 como um aplicativo do Facebook que mostra onde seus amigos trabalham e permite montar um perfil profissional, assim como o Linked In. O diferencial do BranchOut é que ele usa a sua base de amigos no FB para articular um contato com a empresa dos seus sonhos, entre outras funcionalidades.
Em maio passado, Rick Marini – fundador e CEO do BranchOut, conseguiu um aporte de US$ 18 milhões para fazer sua rede ganhar corpo. A chegada da plataforma ao Brasil se deu nessa época. Com isso, o site saiu de uma base de 10 mil para milhões de usuários em 60 países. A rede já está disponível em 15 idiomas, incluindo o Português.
Em conversa por e-mail com o blog da midiaria.com, o BranchOut afirmou que há uma preocupação em expandir no Brasil. “Vemos um crescimento rápido e contínuo de usuários brasileiros, tanto de pessoas em busca de novas colocações, como de recrutadores que procuram por talentos locais”, escreveu a assessoria de imprensa, sem revelar números para o país.
A justificativa do BranchOut é simples: 70% dos 750 milhões de usuários do Facebook estão fora dos Estados Unidos. Quanto mais essas pessoas se preocuparem em utilizar as redes sociais para buscar um novo emprego, mais usarão o BranchOut, que já está disponível no mesmo ambiente em que compartilham sua vida com os amigos e também em apps para mobile. “Prevemos maior crescimento nos países emergentes, incluindo o Brasil.”
Então vale a pena montar um perfil no BranchOut? Minha sugestão é: sim, e o faça hoje mesmo. Por que?
- O BranchOut “puxa” do seu perfil do Facebook apenas informações relevantes profissionalmente, como histórico de trabalho, educação e recomendações. Fotos particulares e postagens ficam de fora;
- Desde 2011 foram divulgados mais de 3 milhões de empregos e 20 mil vagas de estágio nessa rede;
- Empresas como Microsoft, Salesforce, Accenture, HP e Levi’s já contrataram pessoas por meio do BranchOut;
- 70% dos recrutadores de grandes empresas estão usando o Facebook – e consequentemente o BranchOut – para encontrar novos talentos;
- Para 2012, a rede promete novidades, como o aperfeiçoamento das funcionalidades e parcerias com consultorias de recursos humanos.
O BranchOut postou um vídeo e uma série de dicas e previsões de emprego para este ano que valem ser analisadas. Em seu blog pessoal, Rick Marini afirmou: “Mega-tendência para 2012: Facebook é o novo ponto de encontro profissional online”.
#ficaadica
#dasbancas: conversão, redes sociais e responsive web design na Wide
Os sites de e-commerce com maior taxa de conversão, o planejamento para quem cuida de redes sociais e o conceito responsive web design. Esses são três destaques da revista Wide de janeiro/fevereiro 2012 que merecem a sua atenção. Eis os motivos:
A reportagem de capa (“Quem vende mais?”) oferece bons exemplos de sites de e-commerce que têm a maior taxa de conversão e ainda discute quatro fundamentos para lojas virtuais bem-sucedidas. Leia-se: planejamento do negócio, escolha do melhor nicho, usabilidade do site, plano de marketing.
“Use e abuse das fotos e vídeos. No comércio eletrônico, os clientes compram a imagem de um produto”, recomenda o consultor de vendas Rafael Campos à publicação.
A responsabilidade de quem administra as redes sociais de uma marca/empresa tem aumentado cada vez mais. E saber planejar e executar um plano de sucesso é fundamental. A reportagem “Mídias sociais sob sua responsabilidade” discute essa questão e procura responder dúvidas como “por onde começar?”, “quais as melhores estratégias?” e “copiar o que dá certo, vale a pena?”. Duas grandes reflexões desse artigo são o mapeamento de hubs sociais e a imersão do profissional de mídias sociais na cultura da empresa.
Por fim, se você não conhece o conceito de responsive web design, vá até a página 24 e desvende como muitos designers estão pensando sites para as mais diversas plataformas. Segundo a Wide, “responsive web design é, basicamente, um site responder ao dispositivo pelo qual ele está sendo acessado.” A publicação apresenta soluções inspiradoras e ainda aponta as seguintes regras desse novo conceito: foco no conteúdo, mobile first, grid flexível, imagens flexíveis e media queries.
A revista traz outros assuntos bem pertinentes para quem gosta de marketing, design e internet. #ficaadica
Cuide de quem te “curte”
O que nos leva a “curtir” uma página no Facebook? Não é preciso estar on-line para se deparar com o desenho de polegar estendido por aí. Basta atentar aos impressos em geral, às camisetas personalizadas com o símbolo que estão nas ruas e à própria expressão “eu curti”, bem presente nos diálogos de hoje.
O “like” (“gostar”, da versão original do FB em inglês) extrapolou o botão para fazer parte da cultura contemporânea. E isso aumenta a responsabilidade de quem pede para ser “curtido”. Em geral, as pessoas curtem uma página porque:
- acreditam em determinada marca;
- se identificam com ela;
- esperam ser recompensadas por mostrar ao mundo sua predileção por determinado conteúdo.
Obviamente há aqueles que gostam, seguem e compartilham qualquer conteúdo por impulso ao clique. Mas mesmo a “identificação momentânea” tem seu valor e deve ser lavada em conta. Ela pode ser revertida em relacionamento duradouro.
Para quem administra uma fan page no Facebook, um perfil no Twitter ou no Google+ é fundamental preocupar-se com o que é oferecido nesses espaços: textos, imagens, vídeos, arquivos para download…
Uma maneira de perceber qual a rede que melhor funciona para seu público é fazer o teste e acompanhar quais conteúdos são mais compartilhados no Facebook ou quais ganham mais retuítes. Analisar cada plataforma traz a percepção de quem é seu público e do que ele realmente gosta.
Assim, o simples ato de curtir pode se transformar num verdadeiro boca a boca. E num início de conversa entre sua marca e seu target. Já imaginou alguém vestindo uma camiseta estampada com sua logomarca e o símbolo de “curtir” do Facebook?
Off-line interativo com QR Code
Atualmente podemos ver com frequência em capas de revistas, embalagens de produtos, outdoors e em diversas peças publicitárias o QR Code, código de barras 2D que armazena diversas informações interativas, como textos, vídeos, imagens e links que redirecionam para um site ou rede social.
O QR Code foi criado na década de 90 pela Denso-Wave, empresa japonesa, e inicialmente foi utilizado na indústria automobilística para catalogar diferentes partes na construção de veículos. Hoje é utilizado para divulgar informações adicionais sobre um produto, conteúdo editorial personalizado, divulgação de eventos e ações publicitárias.
Os modelos de celulares equipados com câmera e que possuem instalado o software necessário para leitura e interpretação do QR Code, proporcionam essa experiência interativa ao consumidor, que pode acessar a informação armazenada facilmente direcionando a câmera do aparelho para o código enquanto executa o software leitor, que decodifica e exibe na tela a informação armazenada.
No Brasil, a primeira aplicação do QR Code num anúncio publicitário foi em uma peça divulgada em dezembro de 2007 pela empresa Fast Shop “Desvende o código e aproveite ofertas”

1º anúncio publicitário com o uso de QR Code, publicado em 2007 pela Fast Shop
Desenvolvimento de conteúdo relevante é fundamental para o sucesso da ação
A criatividade para desenvolver o conteúdo que estará disponível no QR Code é fundamental para o sucesso da ação, que deve ser uma extensão da comunicação impressa para o meio digital.
A grife Rauph Lauren tem investido no uso do QR Code em campanhas publicitárias, em suas lojas e em promoções exclusivas que podem ser acessadas pela leitura do código criando um relacionamento mais próximo com seus clientes.
# indico: livro sobre as maiores crises de imagem no Brasil
Quais os efeitos que podem ser causados por uma grande crise de imagem? E quais as providências necessárias para atender as inúmeras solicitações da imprensa? Um livro que tenho grande carinho e respeito, A Era do Escândalo, de Mário Rosa, apresenta uma análise do escândalo no Brasil, faz um raio-x do relacionamento nem sempre claro entre imprensa, ministério público e CPIs nos bastidores dos escândalos e é a minha indicação dessa semana.
O livro abre com um primeiro caso, o da TAM, que superou a crise decorrente de um grande acidente aéreo brasileiro com o voo 402, que vitimou 99 pessoas em outubro de 1996. O autor apresenta de forma bem abrangente as ações adotadas pela companhia aérea para sair dessa crise de repercussão internacional.
Nos demais capítulos, outros casos de repercussão na mídia são apresentados, a partir dos testemunhos dos protagonista, como exemplo, o relato do publicitário Fernando Barros, que idealizou e executou o plano de comunicação da campanha de racionamento durante a crise energética de 2001, o famoso “apagão” que poderia comprometer o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC).
O que todos os casos apresentados têm em comum? O que é comum entre eles é que todos os protagonistas viveram uma crise de imagem e de grande impacto. Esse livro não é necessariamente um manual, porém serve de suporte e preparo, e a partir das situações analisadas, permitirá ao profissional de comunicação adotar o posicionamento adequado para zelar e preservar a imagem de sua empresa. Segundo Rosa, a palavra-chave do gerenciamento de crises é prevenção, devendo mapear as dificuldades que podem surgir e as soluções para o problema da crise de imagem.
São vários outros cases apresentados, que valem a leitura desse grande livro. Todo profissional de comunicação deve tê-lo sempre em mãos. Indico e peço que recomendem!
Saiba mais sobre o livro no site da editora
Leia também: 4 passos para enfrentar uma crise em sua comunicação




